

No coração das colinas de Tai’an [província de Xantum, China], existe um lugar que parece desafiar a lógica e abraçar o sonho. The Hometown Moon não é apenas uma capela — é uma experiência sensorial e espiritual concebida pelo estúdio chinês SYN Architects, que transforma o espaço natural num palco de contemplação e beleza.
À distância, a estrutura parece uma meia esfera suspensa sobre um lago sereno. Mas é ao aproximar-se que se revela o verdadeiro encanto: o reflexo perfeito na água completa o círculo, formando uma lua cheia que parece levitar entre o céu e a terra. Uma ilusão óptica que transforma matéria em metáfora.


Um caminho que desperta os sentidos
Chegar até à capela é, por si só, um ritual. O percurso serpenteia por entre árvores, pedras e pequenos cursos de água, convidando o visitante a abrandar, a escutar, a sentir. A arquitetura não se impõe — insinua-se, escondida na vegetação, revelando-se pouco a pouco como se fosse parte da paisagem.
Este caminho não é apenas físico: é uma travessia interior, uma preparação para o encontro com o silêncio e a luz.


Matéria que se dissolve na luz
Construída com materiais simples — cimento cinzento, vidro ultra-transparente, aço inoxidável, espelhos e pedras locais — a capela joga com a transparência e o reflexo para criar uma sensação de leveza e suspensão. O tecto espelhado multiplica a luz natural, estendendo o espaço para cima e desfazendo os limites entre o interior e o exterior.

Uma lua que nunca se põe
Mais do que uma obra arquitetónica, The Hometown Moon é uma expressão visual das filosofias orientais. A dualidade entre yin e yang, o cheio e o vazio, o terreno e o celestial, está inscrita na forma da lua refletida. É um símbolo de plenitude, de continuidade, de harmonia — um lugar pensado para guardar memórias, inspirar contemplações e acolher silêncios.


Entre a arte e o sagrado
Esta capela transcende a função e entra no domínio do simbólico. É uma lua eterna, suspensa entre o visível e o invisível, entre a natureza e a imaginação. Um espaço onde a arquitetura deixa de ser construção e passa a ser poesia.

Imagens: Zheng Yan
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