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Retrato de Isabel I (c. 1599), atribuído ao círculo de Nicholas Hilliard, possivelmente ao seu aprendiz Rowland Lockey

Na pintura, a Rainha de Inglaterra surge com um vestido ricamente ornamentado com motivos de animais, aves, flores e criaturas fantásticas, concebidos de forma alegórica.

O traje — de carácter metafórico — destaca-se pela abundância de elementos naturais e simbólicos, que exaltam o poder, a pureza e a autoridade da monarca. Todos estes detalhes não são meramente decorativos, mas sim representações impregnadas de significados políticos e espirituais.

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Elementos e simbolismo

 

Cisne

  • Simbolismo: pureza, castidade, harmonia. O cisne era também associado à música (o “canto do cisne” evocava a beleza final).
  • Na iconografia isabelina: reforça a imagem da Rainha Virgem, casta e protegida pela sua virtude.

 

Garça ou cegonha

  • Simbolismo: vigilância, renascimento e prudência.
  • Sentido político: a rainha como guardiã do reino, atenta às ameaças.

 

Lírios vermelhos

  • Simbolismo: fertilidade, vitalidade e poder.
  • O vermelho pode ainda remeter para o sangue do martírio e a força do Estado inglês, em contraste com o branco da pureza.

 

Íris

  • Simbolismo: mensageira entre deuses e homens (da deusa Íris).
  • Sentido cortesão: sublinha a ligação da rainha ao divino e à majestade; também pode remeter à flor-de-lis, símbolo régio europeu.

 

Outras flores

  • Rosas, açucenas e flores campestres evocam a fertilidade natural do reino, a ordem trazida pela monarca e a ideia de uma primavera perpétua sob o seu governo.
  • A rosa, em particular, remete para a Rosa Tudor, símbolo da dinastia.

 

Peixes

  • Simbolismo: ligação à água viva, abundância e prosperidade.
  • No contexto isabelino: domínio marítimo inglês, evocando vitórias como a da Armada de 1588 e o expansionismo naval.

 

Monstro marinho

  • Simbolismo: o caos, os perigos do desconhecido e do mar.
  • Sentido político: Isabel domina até criaturas fantásticas — metáfora para o seu controlo sobre os mares e sobre forças além da ordem natural.

 

Lontra ou castor

  • Simbolismo: trabalho incansável, prudência e sacrifício.
  • Sentido político: o castor, associado ao esforço coletivo, simboliza a rainha como guia de um povo laborioso.

 

Pássaro azul

  • Simbolismo: paz, harmonia e renovação espiritual.
  • Na corte: evocava também a música e o canto, celebrando a cultura elisabetana.

 

Vegetação aquática

  • Simbolismo: fertilidade, vitalidade da terra e ordem na paisagem.
  • A rainha aparece literalmente “vestida de natureza”, reforçando o título de Regina Naturae (Senhora da Natureza).

 

Sapo ou rã

  • Simbolismo: ambíguo; pode significar a superação de forças impuras pela pureza da rainha ou o lado misterioso da criação.

 

Criatura alongada (enguia ou serpente aquática)

  • Simbolismo: mistério, perigo e forças ocultas das águas.
  • Representa o poder da rainha sobre o desconhecido, reafirmando a sua autoridade universal.

 

As pinturas oficiais de Isabel I não eram meros retratos: funcionavam como instrumentos de propaganda política. O traje retratado foi cuidadosamente concebido para exibir não só a magnificência pessoal da soberana, mas também a pureza moral, a força política e a prosperidade do seu reino.

A pintura integra atualmente a coleção de Hardwick Hall em Derbyshire, Inglaterra.

 

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