Uma onda parece prestes a invadir a Biblioteca Apostólica Vaticana. A imagem, monumental e a preto e branco, é “Diluvium”, a instalação criada por JR para “AQVA”, a exposição que inaugura Catastrofe e Meraviglia, um ciclo expositivo com a duração de cinco anos.
Instalada na fachada da Biblioteca, a obra inspira-se nas gravuras de Gustave Doré para uma edição francesa da Bíblia de 1866. A água surge como força simultaneamente criadora e destruidora, capaz de dar vida, transformar paisagens e ameaçar aquilo que o tempo procurou preservar.
A escolha do tema tem uma relação directa com a própria história da Biblioteca. O ciclo parte de um tratado de 1756, Del furore d’aver libri, de Gaetano Volpi, que identifica a água, o fogo, a luz, os animais e a acção humana entre os principais perigos para a conservação dos livros.


É a partir destes riscos que Catastrofe e Meraviglia propõe um encontro entre o património histórico da Biblioteca e a criação contemporânea. Em “AQVA”, JR junta-se ao tipógrafo Bill Moran e ao chef Fulvio Pierangelini para explorar diferentes formas de pensar a água e aquilo que ela representa: memória, fragilidade, criação, destruição e sobrevivência.
Mais do que uma exposição sobre água, “AQVA” transforma-a numa pergunta sobre a nossa própria vulnerabilidade. E, no centro do Vaticano, uma enorme onda lembra-nos que nem aquilo que parece imóvel está verdadeiramente a salvo do tempo.
Inaugurada pelo Papa Leão XIV hoje, 14 de setembro de 2026, a exposição abre ao público a 25 de setembro e pode ser visitada até 14 de maio de 2027.

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